Vícios e virtudes nas políticas públicas de cotas educionais: os obstáculos ao desenvolvimento humano com a chegada dos cotistas nas universidades públicas
DOI:
https://doi.org/10.18759/rdgf.v21i3.1715Resumo
O artigo propõe-se a discutir as políticas públicas de cotas educacionais sob o crivo da justiça. Adotando-se uma leitura liberal igualitária da vigente Constituição brasileira, com base principalmente em John Rawls, a pesquisa debruça-se a analisar desde as virtudes das políticas de acesso e ingresso dos cotistas nas universidades públicas até os persistentes vícios nas relações entre cotistas e não cotistas e, também, nos ambientes universitários. Partindo-se da hipótese de que o consenso sobre o valor da igualdade ainda não está totalmente formado no meio social, embora já o esteja no âmbito constitucional brasileiro, a pesquisa propõe a necessidade das políticas públicas de continuidade e permanência dos estudantes estar em conformidade com a missão das universidades públicas, sob pena de os vícios presentes no meio social e insistentes nos ambientes universitários suplantarem as conquistas obtidas até então.
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