Necropolítica e povos da floresta: um debate sobre direito e política indígena no Brasil

Autores

  • Hanieri Alves da Silva Universidade de São Paulo
  • Lauro Gurgel de Brito Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

DOI:

https://doi.org/10.18759/rdgf.v26i1.2274

Palavras-chave:

necropolítica, povos indígenas, direito constitucional

Resumo

O objetivo deste trabalho é investigar, mediante análise documental, bibliográfica e estatística descritiva, as políticas do Estado relativas aos direitos da população indígena no Brasil e conectá-las ao conceito de necropolítica. Utilizou-se de uma análise que relaciona o conceito de necropolítica à soberania do Estado no contexto latino, o Direito Indígena no Brasil e a política Estatal. Os resultados mostram que, apesar da independência colonial e da abolição da escravização no Brasil, a descolonização na sociedade não aconteceu. Persiste a colonialidade do poder em novas bases institucionais e a necropolítica, como descreve Mbembe, com “suspensão de garantias judiciais”, “zonas de violência em serviço da civilização” e “negação de vínculo entre nativo e conquistador”.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Hanieri Alves da Silva, Universidade de São Paulo

Mestre em Recursos Florestais pela Universidade de São Paulo (USP). Engenheiro Florestal pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). Tem atuação na pesquisa em áreas relacionadas ao Direito Ambiental, Políticas Ambientais, Populações tradicionais. Integrante do grupo de pesquisa da Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN), relacionado ao autogoverno indígena.

Lauro Gurgel de Brito, Universidade do Estado do Rio Grande do Norte

Doutor em Direito. Professor da Graduação em Direito e da Especialização em Direitos Humanos na Faculdade de Direito (UERN). Professor Permanente do Programa de Pós-Graduação em Serviço Social e Direitos Sociais na Faculdade de Serviço Social (UERN). Líder do Grupo de Estudos e Pesquisa em Direitos Humanos, Desenvolvimento e Cotidiano (FAD-UERN). Integrante do Grupo de Estudos e Pesquisas Crítica do Direito no Capitalismo (Direito - UFF). Coordenador do projeto de pesquisa Autogoverno indígena: um estudo comparado entre Brasil e Bolívia.

Referências

ALVARÁ de 1º de abril de 1680. Transcrições de fontes. 2010. Transcrito por Rodrigo Sérgio Meirelles Marchini.

ARRAES, VIRGÍLIO CAIXETA. Guerra do Golfo: a crise da nova ordem mundial. Revista brasileira de Política Internacional, v.47, p.112-139, 2004.

BARBOSA, Cônego Januário da Cunha. Qual seria hoje o melhor sistema para colonizar os Índios entranhados em nossos sertões. Revista do Instituto Geográfico e Histórico Brasileiro, 1840, pp. 2-18.

BRASIL. Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002. Institui o Código Civil. Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, ano 139, n. 8, p. 1-74, 11 jan. 2002.

BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília, DF: Senado Federal, 2016. 496 p. Disponível em: https://www2.senado.leg.br/bdsf/bitstream/handle/id/518231/CF88_Livro_EC91_2016.pdf. Acesso em: 15 de dezembro de 2022.

CONSELHO INDIGENISTA MISSIONÁRIO (CIMI). Relatório - Violência contra os povos indígenas no Brasil - Dados de 2021. Brasília, 2022. Disponível em: https://cimi.org.br/wp-content/uploads/2022/08/relatorio-violencia-povos-indigenas-2021-cimi.pdf. Acesso em: 09 Dezembro de 2022.

CUNHA, Manuela Carneiro. Índios no Brasil: história, direitos e cidadania. São Paulo. Claro Enigma, 2012.

CUNHA, Manuela Carneiro; BARBOSA, Samuel Rodrigues. Direitos dos povos indígenas em disputa. São Paulo. Unesp, 2018.

ESCRIVÃO FILHO, Antonio; SOUSA JUNIOR, José Geraldo de. Para um debate teórico-conceitual e político sobre os direitos humanos. Belo Horizonte: Editora D’Plácido, 2016.

FILHO, Roberto Lyra. O que é direito. 11. ed. São Paulo: Brasiliense, 1982.

GAMBA, João Roberto Gorini. Teoria geral do estado e ciência política. São Paulo: Atlas, 2019.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 4 ed. São Paulo: Atlas, 2002.

GONZÁLEZ, Miguel. Indigenous Territorial Autonomy in Latin America: an overview. Latin american and caribbean ethnic studies, [S.L.], v. 10, n. 1, p. 10-36, 2 jan. 2015. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/17442222.2015.1034438.

HUTUKARA ASSOCIAÇÃO YANOMAMI (HAY). Expansão da radiofonia Yanomami. Disponível em: http://www.hutukara.org/. Acesso: 13 de Janeiro de 2023.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Brasil: 500 anos de povoamento. Rio de Janeiro, 2000. Disponível em: https://brasil500anos.ibge.gov.br/territorio-brasileiro-e-povoamento/historia-indigena/os-numeros-da-populacao-indigena.html . Acesso em: 13 de dezembro de 2022.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo 2010: população indígena é de 896,9 mil, tem 305 etnias e fala 274 idiomas. Disponível em: https://censo2010.ibge.gov.br/noticias-censo.html?busca=1&id=3&idnoticia=2194&t=censo-2010-populacao-indigena-896-9-mil-tem-305-etnias-fala-274&view=noticia#:~:text=Esse%20contingente%20somou%2078%2C9,%2C8%25%20na%20%C3%A1rea%20rural. Acesso em: 09 dezembro de 2022.

JÚNIOR, Luciano Roberto Gulart Cabral; NETO, Francisco Quintanilha Véras. Cidadania indígena e pluralismo jurídico: crítica ao estatuto do índio. Revista de Direitos e Garantias Fundamentais, Vitória, v. 19, n. 2, p. 123-148, maio/ago 2018.

JUNIOR, João Mendes. Os indígenas do Brazil, seus direitos individuais e políticos. São Paulo: Hennies Irmãos, 1912 [edição fac-similar: São Paulo: Comissão Pró-Índio de São Paulo].

JUZINSKAS, Leonardo Gonçalves; AYRES, Rodrigo Santa Maria Coquillard. Breves apontamentos acerca de causas e consequências na adoção do marco temporal em matéria de terra indígena. Boletim Científico ESMPU, Brasília, v. 18, n. 53, p. 13-40 – jan./jun. 2019.

KRENAK, Ailton. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo. Editora: Companhia das letras, 2019.

KOPENAWA, DAVI; ALBERT, BRUCE. A queda do céu: palavras de um xamã yanomami. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

MAGALHÃES, José Luiz Quadros de. Direito à diversidade individual e coletiva e a superação da modernidade colonial. Virtuajus, Belo Horizonte, v. 3, n. 4, p. 37-59, jul. 2018.

MAGALHÃES, José Luiz Quadros; RABELO, Sofia Miranda; TEIXEIRA, Sílvia Gabriel. O buen vivir como projeto de mundo contra hegemônico. Revista Culturas Jurídicas, [S.L.], v. 6, n. 15, p. 248-270, 31 mar. 2019. Pro Reitoria de Pesquisa, Pos Graduacao e Inovacao - UFF. http://dx.doi.org/10.22409/rcj.v0i0.779

MASCARO, Alysson Leandro. Estado e forma política. São Paulo: Boitempo, 2013.

MASCARO, Alysson Leandro. Introdução ao estudo do Direito. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2019.

MBEMBE, Achille. Biopoder, soberania, estado de exceção, política da morte. Arte & Ensaios, Rio de Janeiro, n. 32, dezembro de 2016. Disponível em: file:///C:/Users/Lauro/Downloads/8993-17970-1-SM.pdf

MINISTÉRIO DOS DIREITOS HUMANOS E DA CIDADANIA (MDHC). Relatório preliminar da omissão sobre a preservação dos direitos humanos do povo Yanomami: gestão 2019 e 2022. Governo Federal Brasil: União e Reconstrução, Brasília, 2023.

NÓBREGA, Luciana Nogueira. Estado e autonomias indígenas na nova constituição da Bolívia. Tensões Mundiais, [S.L.], v. 14, n. 26, p. 157-181, 5 jan. 2019. Tensões Mundiais. http://dx.doi.org/10.33956/tensoesmundiais.v14i26.261.

NOGUEIRA, JOÃO PONTES. A guerra do Kosovo e a desintegração da Iugoslávia: notas sobre a (re)construção do Estado no fim do mil. Revista Brasileira De Ciências Sociais, v.15, p. 143-160, 2000.

ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Convenção nº 169. s/d. Disponível em: https://www.ilo.org/brasilia/convencoes/WCMS_236247/lang--pt/index.htm. Acesso: 25 mar. 2022.

PACHUKANIS, Evguiéni B. A. Teoria geral do direito e o marxismo. Tradução de Paula Vaz de Almeida; revisão técnica Alysson Leandro Mascaro, Pedro Davoglio. – 1ª edição. São Paulo: Boitempo, 2017.

QUIJANO, Anibal. A colonialidade do saber: eurocentrismo e ciências sociais. Perspectivas Latino americanas. Buenos Aires, CLACSO - Consejo latino-americano de ciências sociais, 2005.

R Core Team (2020). R: A language and environment for statistical computing. R Foundation for Statistical Computing, Vienna, Austria. URL, https://www.R-project.org/.

RAMOS, André de Carvalho Ramos. Curso de Direitos Humanos. 8. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2021.

RAMOS, André Raimundo Ferreira. A escravidão do indígena, entre o mito e novas perspectivas de debates. Revista de Estudos e Pesquisas, FUNAI, Brasília, v.1, n.1, p.241-265, jul. 2004.

RIBEIRO, Darcy. O povo brasileiro: a formação e o sentido do Brasil. 3. ed. São Paulo: Global, 2015.

SILVA, José Afonso da. “Parecer”. In: Direitos dos povos indígenas em disputa. São Paulo. Unesp, 2018.

Downloads

Publicado

2025-12-30

Como Citar

Alves da Silva, H., & Gurgel de Brito, L. (2025). Necropolítica e povos da floresta: um debate sobre direito e política indígena no Brasil . Revista De Direitos E Garantias Fundamentais, 26(1), 113–140. https://doi.org/10.18759/rdgf.v26i1.2274

Edição

Seção

Grupos Invisibilizados, Memórias e Lutas pelos Direitos Humanos